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Saiba – Arnaldo Antunes

Lembrei desta música do Arnaldo Antunes, Saiba, e resolvi colocar aqui pra vocês. Só que não tenho jeito, mesmo meio down, não tenho como não me excitar à voz dele. Acho aquele tom metálico da voz dele um tesão, ficaria uma vida com ele cantando ao meu ouvido. E em um momento assim, que estou meio tristinha, só me imagino quietinha, na cama, de conchinha, com ele cantando em meu ouvido, me ninando, me acalmando…

Saiba

Arnaldo Antunes

Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Sadam Hussein
Quem tem grana e quem não tem

Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu

Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar

Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano

Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao Tsé Moisés Ramsés Pelé
Ghandi, Mike Tyson, Salomé

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você

Arquivado como:melancolia, música

Tão Desprevenida e Exata que Um Dia Acaba

A morte anda rondando… Como sempre andou e como nunca deixou de estar. A avó de noventa e seis anos doente mostra que nem sempre a longevidade é um presente. A notícia de uma amiga do passado à beira da morte aos quarenta anos me congela. Não ando bem estes dias, a maneira frenética como ando trabalhando, produzindo, escrevendo, é um termômetro do meu momento de ebulição interno. Penso na morte todo o tempo. Na morte como um fim, e não como algo transformador. Sei que a cada vinte e quatro horas o dia morre e nasce outro, mas… Quantas vezes metaforicamente eu mesma já morri e renasci outra em mim? Ah, se fôssemos Fênix… Penso também na morte dos sonhos. Sonhos que deixamos morrer. Assassinos? Isso me dá um desespero tão urgente. Pressa, muita pressa. Pressa de viver. Necessidade de qualidade para não morrer em vão. Ah, vida… (suspiro) Tão desprevenida e exata, que um dia acaba.

Ah, pra que chorar
A vida é bela e cruel, despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acaba

Trecho de Ritual – Cazuza

Arquivado como:melancolia, vida

Compulsão

compulsão
[Do lat. tard. compulsione.]
Substantivo feminino.
1.Ato de compelir.
2.Psicol. Tendência à repetição.

Já tive compulsão por trabalho, comida, paixonites, mas minha maior compulsão sempre foi e é escrever. Eu leio, e leio muito, mas não tanto quanto escrevo. Porque escrever é uma necessidade. Tenho compulsão por esvaziar minha alma represada. Escrevendo eu alivio, lendo eu me renovo. Por isso ler é um prazer e escrever uma compulsão.

Certa vez passei quatro dias em uma ilha, sem barco para o continente. E apesar de ter me esquecido de levar condicionador e hidratante, não foi este o meu maior esquecimento. Lamentei ter esquecido algo básico e fundamental em minha vida. A caneta. A necessidade de escrever foi tamanha, que cheguei ao ponto de acordar antes de todos, só para aproveitar a maré baixa e escrever com um graveto na areia. Depois sentei e fiquei ali, observando a maré subir e apagar as minhas literatices na areia.

Portanto, em dias como estes dois últimos, que eu tenho escrito tanta coisa que nem os leitores mais fiéis conseguem acompanhar, peço perdão, mas é que minha alma grita. Feito apito em chaleira de água em ebulição. Curiosamente, mesmo sendo o sexo a temática do meu cantinho secreto, vejo tudo como uma enorme cortina de fumaça. E então, esta inquietude que me atormenta, se torna um alento, já que quando escrevo, me acalmo e fico em paz.

Arquivado como:melancolia, vida

The End – The Doors

Esta música anda ecoando em minha mente, como um mantra. Que coisa doida…

Arquivado como:melancolia, música

Amor Maior – Jota Quest

Eu quero ficar só
Mas comigo só
Eu não consigo
Eu quero ficar junto
Mas sozinho só
Não é possível
É preciso amar direito
Um amor de qualquer jeito
Ser amor a qualquer hora
Ser amor de corpo inteiro
Amor de dentro pra fora
Amor que eu desconheço
Quero um amor maior…
Um amor maior que eu
Quero um amor maior…
Um amor maior que eu
Então seguirei meu coração até o fim
Pra saber se é amor
Magoarei mesmo assim, mesmo sem querer,
Pra saber se é amor
Eu estarei mais feliz, mesmo morrendo de dor
Pra saber se é amor

PS – Não é momento down, viu gente?! É momento reflexivo. Pra pensar e olhar pra dentro de mim. Afinal, minha vida secreta só existe se estou bem comigo e com o mundo…

Arquivado como:Geral, amor, melancolia

Me and My Secret Life

Meu blog é sobre sexo, sobre um lado inconfessável que todos temos, mas nem sempre temos coragem de expor. Exponho a minha vida sexual aqui, porque escrevendo, eu mesma leio, percebo as reações de vocês, às vezes penso que ajudo alguns mostrando minhas esquisitices, às vezes sinto que choco, mas sempre me conheço um pouco mais. O que sei é que a minha vida secreta não é nem sempre a minha melhor ou mais aceitável parte, mas sou eu, também.

Falo pouco da minha vida real, porque ela é muito chata, como a de todo mundo. Trabalho em algo que todos acham glamouroso, mas eu acho um saco. Deixei de ter prazer à muito com a profissão. Voltei a morar com a minha família porque não aguentei a barra de morar só e nem foi por causa de dinheiro. Cada um com seus problemas, né?! Há alguns anos tenho levado uma vida bem mais simples. Hoje vivo de maneira bem light, não ganho muito, mas tenho liberdade de fazer minhas artes, viver, escrever… Curiosamente, desde o dia que eu me meti a reclamar menos e agradecer mais, só coisas boas me aconteceram e têm acontecido.

Minha vida secreta relatada aqui é algo que vivi ao longo de vinte anos. Sou liberal, às vezes libertina, alguém bastante singular, mas confesso, o fato de eu ser desencanada sexualmente, não é garantia nenhuma que eu seja desencanada em todo o resto. Puro engano. Sexo é quase uma fuga. Algo como a minha fortaleza da solidão, só que com o outro. Onde posso me permitir ser, dizer e viver o que quiser. Outro dia me disseram que é algo como o meu lexotan. A diferença é que não sou viciada nisso, apesar de gostar muito. Fico meses sem sexo, tem gente que pergunta como consigo, mas quando apaixonada aproveito e vivo intensamente. Vivo um momento que já cansei das trepadas sem comprometimento.

Sexualmente sou uma mulher extremamente compreensiva e tolerante, aceito a diversidade, experimento e antes de julgar, tento entender. Emocionalmente sou uma mulher insegura e frágil que prefere a solidão à ter que conviver ou digerir a hipocrisia que nos é empurrada goela abaixo no dia a dia.

De vez em quando reclamo da solidão. Lamento não me sentir completamente hetero ou homo. Na terapia batia sempre na tecla que achava que o ser ideal pra mim talvez fosse um hermafrodita, mas… Focar a minha felicidade no inalcançável é burro, é fuga e reconheço. Sei que o problema não está no outro, mas em mim. E enquanto não dou jeito nisso, vou dando as minhas cabeçadas. Me apaixonando, tentando superar meus fantasmas e viver minha vida.

Não posso pedir desculpas por ser quem sou. Minha história de vida não pode ser apagada, tampouco meus medos, num piscar de olhos. O pacote completo não sai nada barato… Essa é a verdade!

Arquivado como:Geral, melancolia

The Great Gig In The Sky

Enquanto caminhava lembrei de uma história que vivi aos vinte e poucos anos. Já até parei para escrever sobre O. aqui, mas sempre vinha algo mais interessante e excitante, nunca terminei. Não que o que vivemos não tenha sido excitante, mas é que o que vivemos foi extremamente terno também. Estou especialmente melancólica estes dias… Veio a história completa. Começo, meio e fim dessa deliciosa paixão. De um tempo em que apesar de complicado, como sempre foi pra mim, mesmo assim eu me permitia coisas mais simples, menos elaboradas e era feliz, muito feliz com isso.

Eu e O. éramos da mesma idade, morávamos no mesmo bairro, os mesmos amigos, a única grande diferença entre nós era a vida, como levávamos. Eu trabalhava de dia e estava na faculdade à noite, na esperança de algo melhor pra mim, enquanto ele tinha que ralar em dois empregos para pagar a pensão da filha, não tinha ambições maiores que manter-se. Tinha um chevete velho que vivia dando problemas, a mãe da filha dele enchia a paciência de vez em quando, a gente não tinha dinheiro pra quase nada e ainda assim era super feliz. Não foram mais que oito meses, mas foram deliciosos meses.

Lembro de muitas histórias nossas, mas uma em especial me excita até hoje recordar. Fomos dormir na casa de um casal de amigos, era uma das poucas oportunidades de passar uma noite inteira juntos. Era inverno, ficávamos até altas horas entre queijos, vinhos e altas conversas. Esse casal amigo era cúmplice, entendia bem o que era não ter onde namorar. De vez em quando eu penso que é por isso que casais muito jovens de classes mais baixas casam-se. Costumo brincar que é para que o homem torne-se finalmente CHEFE, de família, enquanto a mulher torna-se DONA, de casa. No entanto, brincadiras à parte, creio que a sexualidade está embutida nisso sim. Qualquer kitinete vira um palácio de contos de fadas e vivem felizes para sempre até as primeiras dívidas, mas o que tem O. e eu com isso? Nada, nunca casamos… Não porque ele não quisesse, mas eu… Bem, casar era um pouco demais. Sempre foi.

Nesta noite fria em especial, depois que nossos amigos foram dormir, abrimos um monte de edredons sobre o tapete da sala. Tomamos mais um copo de vinho e ficamos ouvindo Pink Floyd bem baixinho, The Dark Side of The Moon, entre muitos beijos e abraços. Embaixo de um cobertor que aquecia tanto, mas tanto, que em determinado momento foi desnecessário, tamanho o calor dos nossos corpos. O. tinha mãos ásperas, mão de trabalhador, estudou pouco, mas era um homem extremamente sensível, me escrevia poesias, até hoje tenho nossas cartas guardadas. Quando eu sentia aquelas mãos em meu corpo eu incendiava. Tinha gostos sexuais simples, é ele o namorado que nunca quis me comer o cu, apesar de eu muitas vezes pedir. Só que tudo era tão delicioso e simples em nossa sexualidade que era pleno. Me levava ao gozo de todas as maneiras, boca, dedos, penetração… Ops! Penetração? Não nessa noite fria, esquecemos o preservativo, e eu sempre fui neurótica com isso. Era início da década de noventa, meus heróis não tinham morrido de overdose, mas de AIDS. Sem contar uma possível gravidez. E eu pensei que nossa noite tinha terminado.

O. então me beijou a boca longamente, sem dizer nada, apenas rindo da minha neurose por causa da falta do preservativo. Estávamos completamente nus, recostados nos almofadões da sala. Foi quando na vitrola (sim, ainda não era CD) começou a tocar The Great Gig In The Sky, e envolvidos pela música começamos a nos masturbar simultaneamente entre beijos e carícias. Os dedos dele eram ágeis e suaves, parecia eu mesma a me tocar, mas era ele. Enquanto eu o masturbava com a mão leve, movimento rápido e constante, ele gostava assim. E à medida que a música crescia o nosso tesão também. Não era necessariamente a nossa intenção, mas chegamos ao orgasmo quase juntos, nas mãos um do outro. Não éramos dois, mas um, só um. E enquanto a música acalmava nossos corpos e respiração também voltavam ao normal. Colamos então nossos corpos em um abraço, e nos fundimos novamente em um só, adormecendo, entregues. Foi, talvez, uma das melhores noites da minha vida.

Recentemente reencontrei O. aqui na minha rua, ele namora a filha de uma vizinha, menina linda, vinte e poucos anos. Ele continua bem, não engordou, não tem mais aquele chevete horrível, mas um carro bom que eu não sei a marca, nunca sei, sou desligada demais pra isso. Soube que se associou ao irmão em uma oficina de lanternagem de automóveis. Vive bem. As mãos ainda devem ser ásperas, não sei se ainda escreve poesias, mas nessa noite fria e só… É impossível não lembrar de The Great Gig in The Sky.

The Great Gig On The Sky

Pink Floyd

“And I am not frightened of dying,
any time will do, I don’t mind.
Why should I be frightened of dying?
There’s no reason for it,
you’ve gotta go sometime.”
“I never said I was frightened of dying.”

“If you can hear this whispering you are dying…”

Arquivado como:amor, melancolia, sexo

Carente…

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Estou em um momento estranho, que não sei bem explicar. Sentir é complicado pra mim. Logo eu que necessito da razão para seguir adiante, sempre. Só me entrego no sexo, no sexo não penso, aconteço e me sinto instinto, sem nenhuma razão. Sentir é complexo demais pra eu me permitir externar sem compreender.

A mais de meio ano me encontro assim, sedenta, não de sexo, mas da sensação boa que o sexo me dá. Só que ando cansada, tão cansada das relações intensas e fugazes. As vezes queria uma coisa morna, algo que pudesse me aquecer e não incendiar somente, mas… Me contentaria com essa coisa morna?

Enquanto sádica, é o prazer em provocar a dor do outro que me acalma, me excita, o consentimento dessa punição. Punindo o outro esvazio a minha dor, mas… Que dor é essa, que não cessa? Penso que é falta de amor, falta de capacidade de amar, falta de pensar menos e apenas me entregar. Aceitar um carinho, receber um abraço, não necessitar ser 100% do meu tempo forte e Dominante.

E a mulher que há em mim vive uma carência absurda. Solitária, extremamente solitária, apesar de tantos e tantas a desejar meu corpo, mas… E minha alma? Quem me deseja a alma? O sentimento? A B. frágil, carente de um afago. Simplesmente deitar a cabeça no peito do outro e adormecer ao som das batidas do coração, ninada pela respiração, fazendo a cabeça subir e descer neste peito. Nua, completamente nua de corpo e alma.

Essa B. ninguém conhece, apesar de existir. Não sei se ninguém quer conhecer ou apenas eu não quero mostrar.

Arquivado como:melancolia

Melancolia

Minha TPM é f… Em determinados meses eu sou o cão chupando manga, noutros eu sou um vale de lágrimas. Este mês estou assim, melancolia pura.

Hoje fui à trabalho na terra de nossa querida Luísa Margarida de Barros, ou para os mais íntimos, Cantábile. Quem não conhece a Cidade de Pedro deveria conhecer, mais que ser constantemente devastada por chuvas de verão, a cidade parece que foi feita sob medida para os apaixonados. Caminhar pelas ruas de Petrópolis é como fechar os olhos e acordar no romantismo do século XIX. Romantismo, romance… Ai, ai… (suspiro). Petrópolis exala paixão e romantismo, e mesmo sem querer, esfrega a solidão no nariz de uma face cínica. A minha.

Hoje, nos jardins do Palácio Imperial, sentei e chorei lembrando de um beijo, um colo e um afago. Me and my secret life, é o meu divã, portanto, exponho aqui as lágrimas que não tenho coragem de admitir.

Arquivado como:melancolia, vida

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Atenção, importante!

Me and My Secret Life acabou, mas meus textos continuam no A Vida Secreta , uma revista diária de informação e entretenimento sobre erotismo, sexo e sexualidade.

Os comentários do Me and My Secret Life serão fechados, portanto, quem quiser papear de agora em diante é no A Vida Secreta.

Foi bom enquanto durou! Muito obrigada pelas visitas diárias. Espero que continuem me acompanhando no novo endereço.

Um beijo carinhoso.

B.

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