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Fun Home – Alison Bechdel

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O Rio é cor de rosa – Guia Gay mostra um RJ diferente

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Justiça ou Preconceito?

A ministra Ellen Gracie, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a decisão judicial que obrigava o Sistema Único de Saúde (SUS) a realizar cirurgias de mudança de sexo.

Fonte: Gay1

Lendo a notícia acima, fiquei em cima do muro. Sou uma simpatizante ferrenha de todas as causas homossexuais, o direito a mudança de sexo é apenas uma delas, mas… Curiosamente, eu não sei se acho justo, em um país onde as pessoas morrem em filas de transplante, que seja priorizada a gratuidade de uma operação como a mudança de sexo. Posso ter falado uma grande asneira, no entanto… Nem tudo é preconceito sexual.

Postagem original no A Vida Secreta.

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AIDS – Portadores do HIV – Teatro – Informação

“Não sabia que eu era uma atriz. No começo eu fui com muita vergonha e depois comecei a ver que saiu de dentro de mim. Aprendi muito”, resume Sandra Cristina Tetente, 39 anos, portadora do HIV há 11 anos e uma das agentes de prevenção do Programa Municipal DST/Aids da cidade de São Paulo convidada para o musical “Good Morning, São Paulo – Dhiversidade.”

O espetáculo, organizado com 20 dos cerca de 140 agentes de prevenção do município, terá uma única apresentação, exclusiva para convidados, nesta quinta-feira (29), às 20h, no Teatro Dias Gomes. O show faz parte das ações que a prefeitura organizou para chamar a atenção para o Dia Mundial de Combate à Aids. Assim como Sandra, alguns dos agentes que participam do elenco são portadores do HIV.

Fonte: G1

Aproveitei a notícia só pra falar um pouquinho do tema. Não sou nenhuma ativista na luta contra a AIDS, já até trepei sem camisinha (pouquíssimas vezes e me arrependo disso), mas fechar os olhos para o fato não é só ignorância, é burrice.

Meu primeiro emprego na vida foi como recepcionista em feiras e eventos, para uma empresa de sonorização e vídeo. Sabe aqueles congressos médicos, cheios de palestras e cursos? Então… O ano era 1989, o Cazuza estava morrendo e ninguém sabia exatamente do que. A AIDS ainda era tratada como o câncer gay, havia um tremendo estigma em cima de quem adoecia e, naquele momento, o melhor que me aconteceu na vida foi ter trabalhado na sala de um médico, Dr. Mauro Schechter, que falava de prevenção em uma época que ninguém nem ousava falar do assunto.

Lembro como se fosse hoje, de uma pergunta que rolou na platéia, quando alguém levantou o dedo e disse: “Como devo tratar o paciente aidético em meu consultório?”. Era um congresso de odontologia. E então o palestrante respondeu: “Como trata qualquer outro paciente, afinal, nenhum portador de HIV traz um letreiro na testa” (percebam a sutileza com que ele mudou a maneira de tratar o paciente do pejorativo para o adequado). E então começou a falar de procedimentos para a prevenção, e não segregação, que hoje são normas de saúde mundiais.

Não sei bem explicar, mas aquela frase mudou minha vida, pois pela primeira vez eu vi que a AIDS era uma doença traiçoeira, que não havia grupo de risco, mas sim comportamento de risco. E desde então, salvo raros momentos que já cometi meus deslizes (e só me acalmei muito tempo depois, após exames que faço periodicamente), eu faço uso de preservativos em todas as minhas relações sexuais. Já acostumei, acho até estranho quando não uso. Sem contar que pra quem é criativo (como já mostrou o meu amigo do Pequenos Delitos) o preservativo deixa de ser um acessório estraga prazer, para ser exatamente o contrário.

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Um Brinde à Primeira Vez!

“Vinho, mas só em ocasiões especiais.” Quando ela mostrou a garrafa eu sorri, era um momento especial. Um brinde à primeira vez, porque algo em mim dizia que não seria a última. Um beijo para provar aqueles lábios doces e aquela adolescente sensação de não saber o que fazer com as mãos, já que o único desejo era o de tomá-la. E foi o que fiz, foi o que fizemos. Devagarzinho, porque apesar da sede, não havia pressa. Porque só uma mulher sabe o prazer que é ser deliciosa e lentamente seduzida. Porque não era novidade, mas era a primeira vez. Porque o desejo de guardar a melhor lembrança daquele primeiro encontro, era maior que o arrebatamento das nossas vontades. Porque aqueles olhos iluminavam a penumbra do quarto, e o tato era cada vez mais aguçado pela curiosidade e o desejo. E então, cada peça despida era um presente, cada sensação do toque era uma dádiva, mas nada se compara ao prazer de percebê-la encharcada só com estas doces carícias. Foi instinto, imediato, também melei. E provei. Provamos. Nos beijamos, nos bebemos, nos comemos, porque a minha sede era dela e a sede dela de mim. Porque nunca as horas passaram tão rápido, porque os gemidos nunca foram tão intensos, porque a vontade nunca foi tanta e o prazer nunca foi tão explícito e sem vergonha. E quando lembro melo, sorrio, contraio, estremeço e gozo. “À primeira vez!”, foi o brinde. Memorável, inesquecível.

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Lésbica, eu?!

Este é um dos posts que estão guardados há muito tempo. Aliás, fui atualizando este post ao longo de meses, muitas vezes. É quase tão antigo quanto O Cu – Dor e prazer, o post mais lido deste blog.

De todos os meus desejos sexuais, o que até hoje ainda me traz algum incômodo, e não pela sensação, mas pela carga moral que traz em si, é o meu desejo por mulheres. Poderia até ser o BDSM, mas não é, apesar de manter também alguma reserva quanto a isso. Cresci ouvindo dizer que mulher com mulher dá jacaré. Alguém quer ser jacaré na vida?! É até engraçado, pois tal exercício neurolinguístico é imposto pelos mesmos que nos indicam que meninas só brincam com meninas. Complicado…

Já comentei aqui que, pra mim, a heterosexualidade é uma condição social? Se não comentei, comento agora. Acho que o sexo é natural ao ser humano, seja solo, homo, bi, hetero, para a procriação ou unicamente pelo prazer. O ser humano é um ser sexual. Eu aprendi a me masturbar sozinha, e o fiz por acaso e repeti porque senti prazer, só isso. Nos disseram que ser hetero é ser normal e nós acreditamos, mas… Será que é mesmo?

Por anos a fio, eu devo ter sublimado um desejo sexual por mulheres, porque aceitar este desejo lésbico seria me submeter a julgamento e condenação no tribunal da minha consciência. Aliás, é algo tão interessante esta auto-censura, que mesmo hoje eu percebo que quando penso em sexo, a imagem que me vem à mente é homem/mulher. No entanto, agora a pouco eu li um texto tão lindo no Entremeado, tanto lirismo e beleza num texto homossexual, que me estranha eu ter algum sentimento de estranheza.

Até atentar para o fato que uma mulher poderia ser provada, o corpo feminino me era quase indiferente. Estive na cama muitas vezes a três (eu, uma amiga e um homem), acreditando que tudo era permitido, menos tocá-la ou aceitar a carícia. Tanto, que sequer cogitava a hipótese e era bom como rolava. Contentava-me, era quase natural, mas veja bem… Quase.

Lembro que uma noite eu tive um sonho. Em um passeio com amigos, em determinado momento, cansados da caminhada, tirávamos nossas roupas e mergulhávamos nus em uma cachoeira que formava um lago de água muito gelada. Sol e corpo quente, o mergulho naquela água era algo insano e ao mesmo tempo delicioso. Lembro que os mamilos enrijeceram e minha primeira reação foi cobri-los. Eu não sei se por vergonha, havia homens e mulheres, ou por frio. No entanto, percebi que uma das meninas da excursão me olhava diretamente nos seios, não com curiosidade, mas desejo. Aquela sensação, de objeto de desejo feminino, me esquentou as entranhas, como se contra todo aquele frescor externo lutasse um rio quente dentro de mim. Os grupos de conversa e brincadeiras começaram a formar-se e ela se aproximou de mim. Eu apesar de levemente constrangida, estava sim, muito mais desejosa. E então, naquelas situações em que só os sonhos são capazes, eu, que jamais havia tocado ou sido tocada por uma mulher, senti o corpo daquela estranha se aproximar do meu sob a água. Senti suas mãos me explorar o corpo, sem fazer nenhuma resistência, muito pelo contrário. Sem nenhum pudor me pus a acariciá-la também. E então, pela primeira vez eu senti a maciez de um seio feminino em minhas mãos, a rigidez do mamilo, e quando enfim ofereci a boca… Acordei.

Sei que o relato do sonho acima pode parecer historinha, mas não foi. Eu acordei ofegante e de lábios úmidos, mamilos túrgidos e xota melada. Masturbei-me como louca. Gozei um gozo intenso que parecia não ter fim, pois eu gozava e continuava me tocando, gozava de novo e mais uma vez… Levantei-me da cama e fui escrever o sonho, sempre tive esta mania. E eventualmente, quando eu relia aquele sonho, me masturbava. A princípio com alguma culpa, mas depois só com desejo.

Quando Antonio (o italiano) me fez a proposta, que eu me relacionasse com uma mulher, eu apenas legitimei meu desejo. Podendo enfim desejá-lo, sob a desculpa de estar saciando o desejo do meu homem. Só que não aconteceu assim. Minhas buscas acabaram sendo íntimas e pessoais. Nunca realizei com ele a tal proposta, no entanto, foi a partir dele o start pra tudo. Hoje não nego o desejo, mas percebi que nunca me envolvi com uma mulher ao extremo da paixão apenas eu e ela. Ainda que acredite ser possível, mas até hoje sempre aconteceu de rolar em trios. Às vezes acho que foi a minha maneira de fugir do comprometimento. Pode parecer, pela maneira que falo aqui que sou uma grande expert em mulheres, mas não sou. Salvo uma deliciosa relação real com a T. e o marido, algumas brincadeiras virtuais (com a B. e a P.) e a minha participação em trios (inclusive também, sendo a terceira uma profissional), a minha única grande paixão lésbica que vivi foi por um hermafrodita virtual na internet, que até hoje não tenho a certeza se era ele ou ela (os indícios me levaram a crer que era um homem passando-se por uma mulher). Vejam só…

Tá certo que eu não sei se aguentaria uma outra TPM no mês. E pior, que não seja a minha. Ou o controle, os joguinhos e estratagemas típicos que só o sexo feminino é capaz. No entanto, não há como negar as sensações do feminino em mim. A boca que vem com tanta suavidade em meu corpo, os seios que ao roçar nos meus causam um arrepio indescritível. Os dedos que instintivamente sabem descobrir meu ritmo e intensidade até o orgasmo. E sabor?! Ah, o sabor… O sabor de uma mulher não tem igual. Só depois de provar uma mulher eu entendi a paixão e o fascínio que os homens tem por nós.

Certa vez na terapia, minha psicóloga perguntou por que eu, uma mulher tão desencanada sexualmente, não me permitia viver uma paixão e relação homossexual e a minha resposta foi: “Medo!” E como todo psicólogo ela repetiu em pergunta: “Medo?” E então, pela primeira vez eu assumi que a minha resistência, não era pelo medo de gostar da situação e enfim assumir-me lésbica, mas sim pela possibilidade de não gostar tanto da relação quanto gosto do sexo sem comprometimento. E assim, ter que reconhecer minha completa inabilidade e falta de traquejo em qualquer relação. Seja homem/mulher (sim, tirando a cama, sou um desastre) ou mulher/mulher. Já pensou?! Lembro bem dela rindo e dizendo que qualquer relação é complicada, seja homo ou hetero, de amizade ou fraterna. Acabei sorrindo também.

Isto ou aquilo… Só sei que é complicado pra mim. Aceito o desejo, aceito o prazer, mas só aceito o momento. Felizmente hoje a bissexualidade é mais aceita. Principalmente a bissexualidade feminina. Caiu por terra o estereótipo que mulher que gosta de mulher tem que ser machona. E mesmo que seja, pra cada tipo de expressão tem seu par. Eu prefiro mulheres inteligentes e sexies. Alguém que atice meu desejo antes, me seduzindo a mente, e que me realize durante, me seduzindo o corpo…

Lésbica, eu?! Quem sabe… Eu nunca digo nunca! Por enquanto, e já é coisa pra caramba, só assumo que gosto de meninos e meninas. De maneiras diferentes, mas em igual intensidade. Só o tempo me trará respostas, ou não…

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Ela

Faz uns meses me envolvi afetivamente por uma amiga aqui na net. Começou por admiração, foi para a amizade e quando eu vi… Estava caidinha por ela. Não vem ao caso dizer os porques de não ter rolado. Uma decepção e caiu por terra tudo o que se construiu, mas… Uma coisa não posso negar. Ter me interessado por ela, independente de qualquer verdade ou reciprocidade da outra parte, me mostrou uma verdade. Nela projetei muitas carências e expectativas que eu até então desconhecia. Sequer sou capaz de culpar o outro pelas minhas neuroses. Ter me envolvido mostrou que em tese eu posso me apaixonar sim por uma mulher e de forma muito mais intensa do que qualquer coisa que eu vivi. Porque me é desconhecido e justo por isso mesmo não pode ser controlado. Não sei perceber os sinais de alerta. Às vezes sinto que quando eu menos esperar estarei envolvida, apaixonada, amando uma mulher… Ou não. Apenas não me nego. Há em mim um mundo que eu desconheço, mas que eu não tenho medo de conhecer.

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São Paulo é Gay!

Calma! Antes que todos os paulistas pensem que eu pirei, deixa explicar… “São Paulo é gay!” foi a exclamação mais que perfeita de uma menina que conheci no metrô completamente lotado, enquanto nos encaminhávamos para a Parada Gay, GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgeneros) é o termo politicamente correto, na Av. Paulista neste domingo 10-06. Sempre estou em Sampa, mas confesso, nunca vi o metrô tão cheio e nem a Av. Paulista daquele jeito. Dizem que foram três milhões de participantes dessa vez (ano passado foram dois milhões). Nunca participei de um evento tão grande e tão da paz. Salvo uma ou outra manifestação mais efusiva (gritos e assobios no metrô), não vi nada (sabe o que é nada mesmo?) que pudesse atrapalhar a alegria da festa. Durante quatro horas, tempo que fiquei acompanhando a Parada, eu dancei, ri, conversei, fiz amigos, me diverti e tudo na mais completa paz. Adorei!

PS
– Este post foi escrito em terras paulistas ainda, só volto na terça para o RJ. Até…

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Entre Eles e Elas, os Dois

    Mamila-me como se eu fosse tua última,
    Vagina-me e lambuza-me inteira
    Do mel que escorre de nossas colméias,
    Nesse roçar de almas sedentas e nuas…
    E alucine-me, até que eu padeça,
    E renasça do orgasmo de nós duas.

Reli pela enésima vez Entre Quatro Paredes da Marisa W do blog L[atitudes], desde que li este poema, este trecho em especial virou um mantra. E vou confessar abertamente, já me masturbei muitas vezes entoando este mantra antes de dormir. Nem vou ficar aqui comentando muito da Marisa W e dos seus poemas, vale a pena ir lá agora e conferir, mas este poema me faz pensar em homens e mulheres, no sexo com cada um deles e na delícia que há na diferença.

Recentemente o Pequenos Delitos no post Meninos Entram ou Não Entram? lançou a dúvida no ar se duas mulheres que transam entre si desejam ou não um homem entre elas. Vou ser muito sincera aqui, e espero não ofender os rapazes, precisar, não precisa, se uma das duas convidar, sinta-se honrado. Mulheres entre elas se bastam sim e criatividade é o que não falta.

No entanto, este post é mais para tecer um comentário que me martela a mente desde que li este post do L[atitudes]. Não há como comparar o sexo entre mulheres com o sexo homem/mulher. O trecho acima citado, ilustra uma cena impossível de acontecer entre homem mulher, e só uma mulher que transa outra entende o que estou dizendo. Vou repetir à exaustão, só quando senti os seios de outra mulher percorrendo o meu corpo, entendi o desejo e fascínio que os homens sentem pelos meus.

E sinto-me extremamente à vontade em dizer, que entre eles e elas, escolho os dois. São experiências diferentes, momentos diferentes, mesmo quando acontecem juntos, acreditem. Um, definitivamente, não se compara com o outro. Mamar um pau ou uma xota não são sensações iguais apesar de ambos receberem e proporcionarem prazeres iguais. Nada se compara à penetração, a vagina nasceu para o pênis, tanto, que são estes dois os responsáveis pela existencia de cada um de nós. No entanto, como me negar à delícia de aromas e sabores tão deliciosos quanto os meus?! Já provei, sei o quanto é bom…

Ouso dizer que a diferença do sexo eles/elas e elas/elas, está no fato de no sexo hetero, homem e mulher se completam, buscam no outro o que lhes falta. Enquanto no sexo entre elas, mulher e mulher se fundem, incorporam-se.

E viva as diferenças!

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Enquanto Ela Não Vem…

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Enquanto eu arrumava a casa ansiosa por recebê-la, detinha-me em pequenos detalhes. Fazia dois dias que eu só pensava nela, na sua chegada. Desde a ida ao mercado para comprar queijos e vinhos, até coisas bobas de arrumação, tudo era motivo para afastar um pouco a idéia fixa de tê-la ao meu lado. Se o banheiro estava impecavelmente limpo, a cama devidamente arrumada… Bobagens do dia a dia, mas que me ocupavam a mente enquanto ela não vinha.

Tomei um banho quente, demorado, morava em uma cidade fria, mas linda demais. Passei hidratante em meu corpo, a pele exigia tais cuidados, mas naquela tarde havia uma conotação erótica no ato tão corriqueiro. Eu esperava por ela. Vesti o roupão, pus uma toalha na cabeça, olhei para o relógio e vi que ainda faltava uma hora até chegar. Viria de passagem, na volta de um passeio a uma cidade próxima à minha, desviaria o itinerário e passaria a tarde comigo antes de voltar pra casa.

Sentei diante do computador e comecei a reler nossos e-mails, rever as fotos trocadas, os vídeos safadinhos, poesias… P. era um pouco mais nova que eu, mas já havia sido casada e tinha uma filha de seis anos. Não tinha namorado no momento, ainda falava muito do ex, mas o que nos aproximou não foi uma vida parecida, tampouco uma vida diferente. P. e eu nos tornamos amigas após uma conversa boba num chat do site de relacionamentos que éramos associadas. Onde, inicialmente, apenas reclamamos da dificuldade de conhecer homens realmente interessantes. Ambas buscávamos um namorado, companheiro, um amigo, alguém para compartilhar nossos momentos livres da vida corrida que levávamos. Acabamos conhecendo uma a outra e apesar de nenhuma de nós duas ter vivido ainda uma relação homossexual, descobrimos haver uma curiosidade enorme, apesar de toda a nossa história pregressa ser heterossexual.

Lembrei de uma noite em que eu teclava com ela no MSN e em meio a um assunto corriqueiro P. me perguntou de uma maneira tão direta que eu fiquei até meio sem graça na hora. “Você já teve um caso com alguma menina, B?” e eu que realmente nunca tinha vivido nada assim, respondi sinceramente que não, mas não sem antes deixar de lançar um “por quê?”. E daí o assunto passou a focar a curiosidade, os desejos escondidos, comentamos de experiências furtivas. Ela comentou da amiga que beijou certa vez em um carnaval, muito doida de cerveja. Eu comentei que já havia estado na cama a três, mas que não havia tido coragem para sequer tocar a outra menina, e por ali foi… Aquela foi a primeira de muitas conversas. Mais tarde P. admitiu que quando me chamou para o bate papo, o fez por que o meu perfil, apesar de heterossexual, tinha uma liberalidade diferente implícita em minhas palavras, sem contar que ela achou minha boca linda.

Depois daquela conversa, nossos assuntos mudaram um pouco, e apesar de ainda continuar a falar de nossos encontros, desencontros e problemas no trabalho, eventualmente conversávamos sobre a curiosidade e a possibilidade de ficarmos um dia juntas. Eu me sentia muito estranha em ansiar chegar a noite para teclar com ela. Ansiar pelas fotos do seu corpo, que ela revelava em doses calculadas, mostrando hora um seio, noutra um pedaço da bunda, noutra os pelos da xota… Eram fotos que o marido havia feito e quando P. comprou uma web cam, passou a se mostrar pra mim on line. Atitude que foi depois retribuída quando eu comprei a minha. Éramos como duas crianças descobrindo o sexo, mas principalmente as sensações.

Naquela tarde eu a esperava ansiosa, como criança esperando a abertura dos presentes em noite de natal. De certa forma eu já havia sonhado tanto com o momento, repassado tantas vezes mentalmente que já chegava a rir nervosamente sozinha, quando o assunto voltava à mente. Deitei na cama então, e para relaxar entreabri minhas pernas e comecei a tocar-me, imaginando que eram os dedos, as mãos de P. a acariciar-me. Gozei algumas vezes ali, sozinha, mas com a imagem dela, o som da sua voz em meu pensamento até que… Adormeci!

Quando acordei já era noite, a tarde havia passado e ela não veio. Procurei meu celular havia duas chamadas perdidas, eram dela. Liguei em retorno e perguntei por que ela não veio se havia acontecido alguma coisa séria e ela disse que não, que à noite entraria no MSN e me explicaria melhor. Naquela noite ela não entrou, e nem em muitas mais. Enviei um e-mail para ela e recebi uma resposta envergonhada que veio cheia de desculpas, mas no fundo, ela só não dizia a verdade: “Eu não tive coragem…”

Depois disso ainda tiveram mais dois desencontros, nesse meio tempo conheci a B. e depois a T., a minha real primeira vez com menina. Eu e P. fomos nos distanciando, até não ter mais contato. Recentemente nos achamos novamente no Orkut, mas… A aura de magia se foi. Acho que eu também tive medo e recebi com certo alívio a recusa, principalmente porque tinha medo de me apaixonar por uma mulher e finalmente entender-me como bissexual. Que bobinha… Como se já não estivesse apaixonada e bissexual não fosse!

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Foi bom enquanto durou! Muito obrigada pelas visitas diárias. Espero que continuem me acompanhando no novo endereço.

Um beijo carinhoso.

B.

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