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Sobre Lady Chatterley e Janelas Abertas

Aos 14 anos, ao contrário das amigas, todas muito lindas e populares, eu era uma garotinha magrela e sem graça, com enormes olhos castanhos, uma timidez absurda e uma mania estranha para as meninas da mesma idade… Ler.

Eu lia muito, mas lia o que tinha por perto, o que tinha na estante, porque a vida era tão braba (leia-se sem dinheiro) que eu não ousava pedir à minha mãe um livro “da moda”. Felizmente, a única herança que meu pai me deixou foi uma estante enorme, repleta de livros. Um livro me chamou a atenção, acho que foi o título, sei lá. O Amante de Lady Chatterley. Começava ali minha paixão pelo erotismo?!

Hoje, quando li uma nota no (o) Omelete sobre o livro, que virou série, que virou filme, lembrei do impacto do livro em mim. Creio que o mundo sabe da história de Constance, mulher jovem e belíssima, casada com o aristocrata inglês, Lord Chatterley, que se apaixona pelo guarda-caças da propriedade, Mellors. No entanto, apesar da palavra “amante” ter me chamado a atenção, havia algo mais no enredo que me incomodava e na época eu não tinha discernimento para saber o que.

É claro que o livro foi uma pornografia para a época, mas a pornografia maior, não era o fato de uma aristocrata ter um caso com alguém de uma classe social inferior. Putz! Isso sempre foi normalíssimo em qualquer high society que se preze. Incomum, foi o tal D. H. Lawrence, certamente um pseudônimo tão B. quanto eu, colocar no papel tão detalhado e explicitamente, as venturas e desventuras da dama na sociedade em questão, que tudo o que mais sonhava era apenas ser a puta na cama.

Lembrei então de uma conversa com um amigo, dias atrás, quando conversávamos sob o que há nas entrelinhas de alguns dos meus textos. Usamos como referencia o Janelas Abertas, um texto que fala de exibicionismo e voyeurismo, mas que no fundo é muito mais significativo e complexo.

Termino o texto com um trecho da matéria do (o) Omelete, onde o Marcelo Hessel sintetiza muito bem a essência do (nesta crítica) filme e, porque não, deste blog e da exposição da vida secreta desta B. que vos escreve.

“Porque Lady Chatterley é nada mais do que o processo de desnudamento da personagem, literal e figurativamente.”

Me and My Secret Life é a minha janela aberta, por que não?

Arquivado como:Geral, extraordinário, fetiche, livros

4 Responses

  1. Rocco disse:

    D. H. Lawrence psedônimo? O que é isso, minha gente?

  2. B. disse:

    Rocco, vai por mim… D. H. nada mais era do que David Herbert Lawrence. Se usar as iniciais não é preservar a identidade, como um pseudônimo, eu não sei o que é… É a famosa sopa de letrinhas, que eu sempre uso por aqui.

    Beijocas!

  3. Adorei o sei blog! Li um bocado de textos já. Muito bom… Vou vir sempre aqui, ok?

    Beijooo.
    ;)

  4. Ricardo Rayol disse:

    pornografia social isso sim.

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